sábado, 2 de março de 2013

A Utilidade da Filosofia na sala de aula


Qual é a utilidade da filosofia na sala de aula? (*)

A filosofia e os filósofos parecem ser vistos pela sociedade, pelo senso comum, como uma chatice, algo sem nenhuma utilidade. Lamentavelmente também alguns pensadores adotaram uma postura destrutiva em relação à filosofia.
Arthur Schopenhauer (1788-1860), filósofo alemão, afirmava sobre os filósofos docentes nas universidades, que se tratavam de professores que falavam difícil para impressionar os alunos.
Outro exemplo, a crítica de Karl Marx (1818-1883), afirmando que os filósofos até hoje se preocuparam apenas em interpretar o mundo, sem se preocupar, porém, em transformá-lo.
Vale esclarecer: Marx está se referindo a um determinado tipo de filósofo, ou a um determinado tipo de filosofia – aquele que em nada contribui para o desenvolvimento da humanidade.
Mas então, qual seria a natureza do trabalho filosófico? Antes, o que é a filosofia?
Filosofia não é matéria de conhecimento, em todas as outras disciplinas temos algo a aprender, mas na filosofia não é assim.
Vergez (1987) afirma que: “se alguém espera da filosofia um conjunto de conhecimentos precisos e certos, bastando tão-somente adquiri-los, sua decepção será completa”.(p.23).
Filosofia é procura e não posse, filosofia é constante pergunta, questionamento. Portanto, o trabalho filosófico é um trabalho de reflexão.
O filósofo é aquele (a) que busca a sabedoria, ou que procura ser amigo da sabedoria. Ele não é o homem das respostas, mas das perguntas.
E ainda, ele lida com idéias que não são traduzíveis em coisas concretas, tais como o conceito de ‘verdade’ ou de ‘bem’.
Uma das características importantes da filosofia é a preocupação com a verdade.
As questões filosóficas podem muito bem ficar sem respostas, ou podem mesmo propiciar polêmicas intermináveis, como geralmente ocorre.
Assim, a filosofia é a reflexão da reflexão. Através do filosofar, podemos saber mais sobre a nossa capacidade reflexiva.
Mas então voltamos a pergunta: Qual é a importância dessa reflexão como disciplina na sala de aula?
A resposta é simples, mas essencial. Sem refletir não poderíamos ser livres.
Agir sem refletir significa não ser dono das próprias ações. Essa é a diferença entre nós e os robôs. Eles não possuem poder de reflexão e por isso mesmo eles não podem escolher por si mesmos (o que vai fazer e quando fazer?). E você, tem se comportado como robô ultimamente?
A filosofia pode ser vista como uma ferramenta essencial para a nossa liberdade.
É a liberdade do pensar (diferente, de ser original), do refletir, que nos leva a agir livremente.
O exercício da liberdade pressupõe que reflitamos sobre as nossas vidas, as nossas ações, as pessoas que nos rodeiam, o país em que vivemos, as regras da comunidade a qual pertencemos, e as informações verdadeiras ou falsas que obtemos (seja pela mídia, ou através das pessoas com quem nos relacionamos).
Será que nós, jovens, nos interessamos pelos problemas do nosso bairro, da nossa escola e do nosso país? Somos também responsáveis por um planeta mais limpo, isto é, menos poluído? O que estamos fazendo para tornar o mundo mais justo?
Falando de planeta mais limpo e, para tranqüilizar nossas consciências, lhes pergunto: a escola faz parte do planeta? Já sei que você (leitor assíduo deste blog) sabe a resposta. Fico indignado porque a maioria dos jovens vão responder: “Não sujo o planeta”. Porém se contradizem quando os mesmos sujam as carteiras da sala de aula, jogam lixo no chão. Quando termina o intervalo (às 10h50min.), o pátio está uma lixeira transbordante. Aí vem os pombos, comem os restos (estes produzem piolhos). Sem falar de outros bichos (como ratos e baratas).
Portanto, a filosofia na sala de aula é a oportunidade que os alunos têm de entrar em contato com essa reflexão da reflexão, a assim poder agir com liberdade.

(*) Texto adaptado de Kênia Hilda Moreira (mestranda em educação escolar pela UNESP, e professora de Introdução à filosofia da UNIFAN de Goiás)

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