sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Introdução à Filosofia - 1º ano ( Ensino Médio )

A Filosofia na história – A Filosofia e o pensamento conceitual

A palavra filosofia já foi definida de várias fomas. A palavra, filosofia, de origem grega, é composta de philos, que designa amigo, amante; e Sophia, significa sabedoria. O significado de filosofia, portanto, é amor ou amizade pela sabedoria. Se a filosofia é um amor pela sabedoria, isso quer dizer que ela não é “a” sabedoria, mas sim uma relação com o saber, que implica um movimento de construção e de busca da sabedoria.
A filosofia é, portanto, um movimento daquele que não sabe em direção a um saber; é uma vontade de conhecer a si mesmo e ao mundo.
Na reflexão em busca do conhecimento, a filosofia elabora conceitos. Para começar a compreender o que são conceitos, pense no que significa para você a idéia de democracia. Faça você mesmo algumas perguntas:

-    O que é democracia?
-     A que contextos ela se aplica? 
-     As relações familiares em que vivo são democráticas? E na escola?
-    Deve haver um limite para a liberdade democrática?
-     Será que a democracia tem alguma relação com a filosofia?
-     A idéia de democracia é algo pronto e definitivo ou muda conforme o lugar e a época?

Ao fazer a si mesmo essas perguntas, você está praticando a reflexão filosófica e reunindo elementos que podem ajudá-lo a elaborar um conceito, o conceito de democracia.
Nos dicionários é possível encontrar muitas definições da palavra democracia. O conceito é algo diferente, é uma elaboração própria, que envolve reflexão e modifica quem a realiza.
Os conceitos não estão prontos e acabados, mas estão sempre sendo criados e recriados de acordo com as circunstâncias, de acordo com as necessidades, dependendo dos problemas enfrentados a cada momento.
Cada filósofo cria seus próprios conceitos ou recria conceitos de outros filósofos. Procure ler e, se possível anotar (no caderno), o conceito de Dialética em Platão, Hegel e Karl Marx.
         “A Filosofia é a arte de formar, de inventar, de fabricar conceitos”. ( Gilles Deleuze & Félix Guattari )
Pensamos quando nos deparamos com um problema (ex. o racionamento da água em SP). O exercício do pensar produz transformações em nossas vidas. Quando pensamos, já não somos mais os mesmos. Exige de nós postura ética, responsabilidade por nossos próprios atos. Estamos beneficiando alguém? Ou: Contribuímos para um mundo sustentável? De que forma?
Mas, praticar a Filosofia não é privilegio apenas dos filósofos. Todos (homens e mulheres) podem filosofar. Segundo o filósofo italiano Antonio Gramsci, “todos os homens são filósofos”, na medida em que todo ser humano, de uma forma mais ou menos intensa e duradoura, pensa sobre os problemas que enfrenta em sua vida. De certo modo, todo ser humano se utiliza de conceitos, ou até mesmo os formula, em alguns momentos de sua vida.
         Foi por meio do exercício do pensamento que o ser humano transformou-se a si mesmo e ao mundo.
        

                   Fonte: “Filosofia – experiência do pensamento. Sílvio Gallo.           Ed. Scipione. P. 12 e 13)

domingo, 23 de novembro de 2014

Falando sobre o projeto “Filosofia e Rock no Mocam”

            Ao perceber que alguns alunos traziam seus violões para a escola e ficavam tocando e cantando durante o horário do intervalo, não pensei duas vezes em convidá-los para uma participação especial em um mini-projeto intitulado “Filosofando com nossos pais na escola”, realizado no 3º bimestre com os alunos de minha sala de coordenação 1º E.
         A experiência foi tão boa que resolvi desenvolver um novo projeto com as duas salas dos alunos que tiveram participação especial naquele outro, são as turmas “A” e “C” do 2º ano. Após a leitura de um artigo da revista Filosofia Ciência e Vida (jul./2014), abordando sobre os pontos de convergência entre a filosofia e o rock, resolvi desenvolver um projeto interdisciplinar, envolvendo as disciplinas filosofia, sociologia e história. As aproximações entre filosofia e o rock são inúmeras. No entanto daremos ênfase à característica principal de ambos: a crítica, algo que também é inerente da personalidade do jovem. É bom lembrar a todos que Sócrates tem como característica principal que o aproxima do rock a provocação. Sócrates era um provocador. Precisamos despertar em nossos jovens alunos o espírito provocativo e questionador.
         Antônio Carlos e Milton Fernandes, no livro “Movimentos culturais de juventude”, escrevem: “Como muitos outros jovens norte-americanos do seu tempo, Bob Dylan mostrava-se desencantado com o mundo que os homens construíram – olhando a sua volta, lendo jornais e vendo noticiários da tevê, ele sentia que as coisas não estavam tão maravilhosas como as pessoas no poder apregoavam.” (p.53). Apesar de já transcorrido 40 anos , onde a revista RollingStone publicou recentemente uma edição comemorativa dos 40 anos após a morte desse grande ícone do rock. Constatamos que muita coisa ainda resta por fazer. Falamos de direitos humanos, mas muitos direitos básicos ainda são negados, seja na área da saúde, da segurança, do transporte público de qualidade, só para citar alguns.
         Prossegue os professores Antônio Carlos e Milton Fernande: “Ouvir rock, informar-se sobre as idéias e atitudes de seus músicos, tentando tocar e ser como eles, tornou-se uma forma de contestar, de procurar um novo objeto, um novo ideal.” (idem, p.104). Penso que uma das atribuições nossas como educadores é sermos motivadores de sonhos. Esse projeto, no início pareceu muito utópico, mas devido a persistência de todos aqueles envolvidos – professores, alunos e funcionários deixou o plano mental, esboçado no papel, para materializar-se e ganhar vida nesta última semana, do penúltimo mês do ano letivo de 2014.
         Os trabalhos serão apresentados intercalando-se: exposição de pesquisas de diversos temas e contextualização do rock, seguida de apresentação musical da banda, composta por alunos do 2º ano “A” e “C”.

         
        
           

            

sábado, 4 de outubro de 2014

A Leitura de Textos Filosóficos

Devido às dificuldades culturais e lingüísticas dos estudantes, alguns não sabem ler, ou melhor, não compreendem aquilo que lêem. Outro problema é a falta de hábito de ler. O desafio está lançado: cabem a nós, professores, desenvolver, no interior do próprio ato de leitura, as habilidades e competências requeridas para uma leitura edificante.
A leitura tem o poder de despertar em nós regiões que estavam até então adormecidas.
“Nos meios de comunicação se ouvem queixas sobre o tema: ‘os jovens não lêem mais’, ‘é preciso ler’, até mesmo ‘deve-se amar a leitura’”. ( Michele Petit – Os jovens e a leitura. Editora 34.2010. P.18). Segundo Michele, a leitura de livros pode ajudar os jovens a serem mais autônomos. E prossegue: “a leitura desperta o espírito crítico, que é a chave de uma cidadania ativa”. (p.27)
Segundo Lidia Maria Rodrigo, autora do livro Filosofia em sala de aula, um dos exercícios mais solicitados pelos professores nas escolas é o resumo do texto. Mas, para Lídia, esse não é um ponto de partida adequado. “É preciso lembrar que a análise deve anteceder a síntese.
A autora de Filosofia em sala de aula nos dá algumas dicas de como ler textos filosóficos: “No nível médio, a leitura analítica ou estrutural poderia ser simplificada, basicamente em três etapas (p.73s):
1) Esclarecimento semântico e conceptual – É uma etapa preliminar, em que se busca a significação dos termos e conceitos desconhecidos, podendo-se, para tanto, recorrer aos dicionários (de português e de filosofia). Um dicionário acessível ao aluno de ensino médio seria: Dicionário básico de filosofia, autores: Japiassu & Marcondes (1996),
2) Estruturação lógica do raciocínio – Trata-se de elaborar um esquema, apresentando a estrutura discursiva do texto, mediante a elaboração de uma espécie de índice dos vários tópicos abordados, segundo sua estrutura lógica. Boa parte dos textos filosóficos admite uma divisão em três etapas redacionais: introdução, desenvolvimento e conclusão.
A esquematização desses três momentos permite a visualização do raciocínio do texto em sua globalidade, isto é, o encadeamento dos conceitos e idéias (na construção dos argumentos).
3) Visão sintética do texto – Depois da leitura analítica, que culmina na esquematização do raciocínio, pode-se construir uma visão sintética e global, determinando:
ü      Tema: qual o assunto ou tema do texto?
ü      Problema: qual a grande pergunta do autor ou problema central?
ü      Tese: qual a idéia central ou tese que responde à questão posta pelo autor?

Texto: “Pensamentos” – Pascal
            346 O pensamento faz a grandeza do homem.
            347 O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante. Não é preciso que o universo inteiro se arme para esmagá-lo: um vapor, uma gota de água, bastam para matá-lo. Mas, mesmo que o universo o esmagasse, o homem seria ainda mais nobre do que quem o mata, porque sabe que morre e a vantagem que o universo tem sobre ele; o universo desconhece tudo isso.
Toda a nossa dignidade consiste, pois, no pensamento. Daí é que é preciso nos elevarmos, e não do espaço e da duração, que não poderíamos preencher. Trabalhemos, pois, para bem pensar; eis o princípio da moral.
            348 Caniço pensante – Não é no espaço que devo buscar minha dignidade, mas na ordenação de meu pensamento. Não terei mais possuindo terras; pelo espaço, o universo me abarca e traga como um ponto; pelo pensamento, eu o abarco.




sábado, 30 de março de 2013